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Aos 40



O CÉU

 

                        As idéias do homem estão sempre na razão dos seus conhecimentos.

 

O homem se constitui de corpo e espírito. O espírito é o ser principal, o ser racional, o ser inteligente. O corpo é o envoltório material que reveste temporariamente o espírito para o cumprimento da sua missão, permitindo-lhe executar os trabalhos necessários ao seu desenvolvimento.

 

Há, portanto, o mundo corpóreo, constituído pelos espíritos encarnados, e o mundo espiritual, constituído pelos espíritos desencarnados. Os seres do mundo corpóreo, em razão do seu envoltório matéria, estão ligados à Terra ou a qualquer outro globo. O mundo espiritual estende-se por toda parte, ao redor de nós e através do espaço. Nenhum limite podemos assinalar para ele.

 

                        Os espíritos são criados simples e ignorantes, mas dispondo de aptidão para todas as aquisições e para progredir, em virtude do seu livre-arbítrio. Pelo progresso adquirem novos conhecimentos, novas faculdades, novas percepções e por conseguinte novas possibilidades de prazer, desconhecidas dos espíritos inferiores. Eles vêem, ouvem, sentem e compreendem aquilo que os espíritos atrasados não podem ver, nem ouvir, nem sentir e nem compreender.

 

A felicidade está na razão do progresso realizado. De dois espíritos, mesmo estando lado a lado, um pode se encontrar nas trevas enquanto que para o outro tudo é resplandecente ao seu redor. Um percebe a luz que entretanto não impressiona o outro. Isso porque um percebe e compreende o que não produz nenhuma impressão ao outro. Assim acontece com todas as alegrias dos espíritos que estão na razão direta das suas aptidões para senti-las.

 

O progresso dos espíritos é o resultado do seu próprio trabalho. Mas como eles são livres e trabalham para o seu adiantamento com maior ou menor atividade ou negligência, segundo à sua vontade, eles apressam assim ou retardam o seu próprio progresso, o que vale dizer a sua felicidade. (...) Eles são, portanto, os próprios artífices da sua situação feliz ou desgraçada, segundo palavras do Cristo: A cada um segundo suas obras.  Cada espírito que fica atrasado só pode lamentar-se de si mesmo, como aquele que avança tem todo o mérito do seu progresso.

 

                        (...) O progresso intelectual e o progresso moral raramente andam juntos, mas o que o espírito não consegue num determinado tempo, o consegue em outro, de maneira que essas duas formas de progresso acabam por atingir o mesmo nível. (...)

 

(...) Para o homem que vive só não há vícios nem virtudes; se, ele se preserva do mal, também anula as possibilidades do bem. (...)

 

(...) Em cada nova existência o espírito se apresenta com o que adquiriu nas precedentes em aptidões, em conhecimentos intuitivos, em inteligência e em moralidade. Cada existência é assim um passo dado no caminho do progresso.

 

A encarnação é inerente à condição de inferioridade dos espíritos. Ela se torna desnecessária para aqueles que romperam esses limites e progrediram espiritualmente ou nas existências corporais dos mundos superiores, onde nada mais existe da materialidade terrena. Para esses a encarnação é voluntária, com o fim de exercer sobre os encarnados uma ação mais direta no cumprimento das missões de que estiverem encarregados. Eles aceitam as suas vicissitudes e os seus sofrimentos por abnegação.

 

No intervalo das existências corpóreas o espírito volta por tempo mais ou menos longo ao mundo espiritual, onde é feliz ou infeliz, segundo o bem ou o mal que tenha praticado. (...) É sobretudo no estado espiritual que ele recolhe os frutos do progresso realizado durante a encarnação. É então que ele também se prepara para novas lutas e toma resoluções que se esforçará para pôr em prática no seu retorno ao seio da humanidade.

 

O estado corpóreo e o estado espiritual são para ele as fontes de duas formas de progresso que se desenvolvem solidárias. É por isso que ele passa alternadamente por esses dois mundos de existência.

 

Entre os mundos há os mais avançados, onde a existência decorre em condições menos penosas do que na Terra, física e moralmente. A vida nos mundos superiores já é em si mesma uma recompensa, porque ali estaremos livres dos males e das vicissitudes que enfrentamos neste mundo. Os corpos menos materiais, quase fluídicos, não estão sujeitos às doenças, às dificuldades e nem mesmo às necessidades dos nossos. Os maus espíritos estão excluídos dele. Lá os homens vivem em paz, cuidando apenas do seu progresso.

 

            Nesses mundos, reinando a verdadeira fraternidade, não existe o egoísmo. A igualdade é legítima, porque não existe o orgulho. A liberdade é verdadeira porque n ao existem desordens que exijam repressão, nem ambições tentando oprimir os fracos.

            A felicidade dos espíritos bem-aventurados não está na ociosidade contemplativa, que seria, como freqüentemente se diz, uma eterna e fastidiosa inutilidade. A vida espiritual, em todos os seus graus, é pelo contrário uma atividade constante.

 

            Os espíritos puros são os Messias ou mensageiros de Deus para transmissão e a execução de seus desígnios. Eles cumprem as grandes missões, presidem à formação dos mundos e à harmonia geral do Universo.

 

            As atribuições dos espíritos são proporcionais ao seu progresso, aos seu esclarecimento, às suas capacidades, à sua experiência e ao grau de confiança que merecem do Soberano Senhor. Não existem privilégios nem favores que não decorram do próprio mérito. Tudo é medido pela mais estrita justiça.

 

            (...) Cada encarnado tem a sua missão: deveres a cumprir para o bem de seus semelhantes.

 

            (...) A felicidade decorre das próprias qualidades dos indivíduos e não da condição material do meio em que se encontram. Ela está, portanto, em toda parte onde existam espíritos capazes de serem felizes. (...)

 

            Embora os espíritos estejam por toda pare, os mundos constituem os lares em que eles de preferência se reúnem, em razão da sintonia existente. Cada globo tem, portanto, de qualquer maneira, sua população própria e espíritos encarnados e desencarnados, que se sustenta na maior parte pela encarnação e desencarnação sucessivas. Essa população é mais estável nos mundo inferiores, onde os espíritos são mais apegados à matéria, e é mais flutuante nos mundos superiores. Mas dos mundos que são focos de luz e de felicidade partem espíritos que se dirigem aos mundos inferiores para neles semear os germes do progresso, para levar-lhes a consolação e a esperanças, reerguendo os ânimos abatidos pelas provas da vida e às vezes neles se encarnado para cumprir com ais eficácia a sua missão.

 

                        Os mundos felizes são as últimas estações do caminho. As virtudes favorecem a caminhada e os vícios impedem o seu acesso.

 

                        (...) Ma por que Deus não revelou desde o princípio toda a verdade? Pela mesma razão que não se ensina às crianças o que se deve ensinar na idade madura. (...)

 

                        Como diz o Cap. III do Evangelho Segundo o Espiritismo, o erro está em se querer, não levando em conta o progresso da cultura, governar os homens amadurecidos com os preceitos que se aplicavam à infância.

           



Escrito por Line às 12h30
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A PREOCUPAÇÃO COM A MORTE

 

                        A certeza de reencontrar seus amigos após a morte, de continuar as relações que tinha na Terra, de não perder o fruto de nenhum de seus trabalhos, de crescer sem cessar em inteligência e perfeição, lhe dá a paciência de esperar e a coragem de suportar as fadigas passageiras da vida terrena.

 

                        (...) O trabalho que os faz progredir na Terra não tendo nenhuma influência sobre a felicidade futura, a facilidade com que pensam conquistar essa felicidade por meio de algumas práticas exteriores, a possibilidade mesmo de comprá-la com dinheiro, sem uma reforma séria do caráter e dos costumes, fazem que os gozos do mundo conservem todo o seu valor. Muitos crentes dizem para si mesmo que, se o seu futuro está assegurado pelo cumprimento de certas obrigações formais ou pelas graças que os esperam após a morte, seria tolice fazerem sacrifícios ou sofrerem qualquer coisa em benefício dos outros, uma vez que se pode atingir a salvação trabalhando cada um para si mesmo. (...)

 

                        (...) A partida para esse mundo mais feliz é acompanhada das lamentações dos que ficam, como se houvesse acontecido a maior desgraça para aqueles que partiram. Dizem-lhe adeus eterno como se jamais eles pudessem ser vistos de novo.  Lamenta-se que tenham perdido os prazeres deste mundo, como se não tivessem de encontrar prazeres maiores no outro. (...) Tudo concorre, pois para inspirar o pavor da morte em lugar de despertar a esperança. (...)

 

(...) A alma que se encontra no céu será realmente feliz ao ver, por exemplo, seu filho, seu pai, sua mãe ou seus amigos queimando eternamente?(...)

 

Os espíritas sabem que a vida futura não é mais do que a continuação da vida presente em melhores condições, e esperam com a mesma confiança com que aguardam o nascimento do sol depois de uma noite tempestuosa. (...)

 

Para os espíritas a alma é um corpo etéreo. Ela não está perdida nas profundezas do espaço: o mundo corpóreo e o mundo espiritual estão em constantes relações e mutuamente se assistem.

 

           



Escrito por Line às 12h28
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O FUTURO E O NADA

 

                        Haverá alguma coisa mais desesperadora do que essa idéia de destruição absoluta? Sagradas afeições, inteligência, progresso, saber laboriosamente adquirido, tudo seria destruído, tudo estaria perdido! Que necessidade teríamos de esforçar-nos para ser melhores, de nos constrangermos na repressão das paixões, de nos fatigarmos no aprimoramento do espírito, se de tudo isso não iremos colher nenhum fruto?(...)

 

                        (...) Acreditando que o fim de tudo é o nada, o homem concentra forçosamente todo o seu pensamento na vida presente. Essa preocupação exclusiva com o presente o leva naturalmente a pensar em si antes de tudo. É, portanto, o mais poderoso estimulante do egoísmo, e a incredulidade é conseqüente consigo mesma quando chega a esta conclusão: gozemos enquanto vivemos, gozemos o mais possível, desde que após a morte tudo está acabado, gozemos logo, pois não sabemos quanto tempo isso vai durar e gozemos de qualquer maneira. (...)

 

                        (...) Se o respeito humano consegue deter alguns, que freio poderia segurar aqueles que nada tem?(...)

 

                        (...) O essencial para o homem é a conservação do seu eu. Se a lógica nos leva à individualidade da alma, nos leva também a outra conseqüência, a de que a sorte de cada alma deve depender de suas qualidades pessoais. As almas devem ter a responsabilidade dos seus atos, mas para que sejam responsáveis é necessário que sejam livres para escolher entre o bem e o mal. Sem o livre-arbítrio haverá fatalidade e com esta a alma não poderia ter responsabilidade. (...)

 

           



Escrito por Line às 12h27
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Vejam só
Que história boba eu tenho pra contar
Quem é que vai querer acreditar
Eu sou palhaço sem querer

Vejam só
Que coisa incrível o meu coração
Todo pintado e nessa solidão
Espera a hora de sonhar

Ah, o mundo sempre foi
Um circo sem igual
Onde todos representam bem ou mal
Onde a farsa de um palhaço é natural

Ah, no palco da ilusão
Pintei meu coração
Entreguei o amor e o sonho sem saber
Que o palhaço pinta o rosto pra viver

Vejam só e há quem diga que o palhaço é
Do grande circo apenas o ladrão
Do coração de uma mulher



Escrito por Line às 22h09
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