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Aos 40



Hoje eu percebo que ele mudou realmente alguns de seus comportamentos. Mas sua excencia continua intocável.
Ele aprendeu, como um cachorro brabo, que não pode morder todo mundo, mas não acredito que o cãozinho deixou de ter vontade de morder. Ele simplesmente aceita, hoje, o fato de que não pode.
É bem diferente quando as mudanças acontecem DENTRO da gente. Quando o cãozinho passa a gostar de gente e então não ter mais vontade de morde-las. Mas para o cãozinho passar a gostar de gente, ele tem que se permitir gostar, primeiro de tudo. Ele tem que se gostar, para gostar que gostem dele. Mas ele não pode se gostar de forma egocentrica, caso contrário, não vai funcionar o retorno.
O cãozinho também não pode ser covarde, se não ele não vai conseguir proteger nem a ele mesmo. E quando entender que não pode morder, vai achar que não pode morder "ninguém", mesmo que isso coloque em risco a vida das pessoas que ele deveria proteger.
O cãozinho também pode escolher ser traiçoeiro. E encontrar oportunidades de "avançar" naquelas pessoas mais fracas, desprotegidas. E assim que o seu dono chegar tarde em casa, no escuro, ele traiçoeiramente vai "atacá-lo".


Escrito por Line às 18h27
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Estamos nós na cama. Ele se esmera em atenção e aproximação física comigo. Se deixa acarinhar e até conseguiu me fazer carinho. Não transparece de emoção. Evite abrir os olhos. Assume que queria o carinho e que não o faz por qualquer sentimento de pena. Quer o carinho, afirma. Gosta de mim muito afirma. Tenta aproximar-se. Eu permito a aproximação física, eu permito a aproximação emocional, eu até permito o tesão que ficamos. Um tesão totalmente velado. Mas embalado em doçura. Falo sobre todo o sentimento que temos um pelo outro. O quanto é grande. Nos emocionamos. Eu digo que será que quilometros de estrada irá conseguir fazer com que isso acabe. Ele responde que não sabe. Pergunto de uma forma alegre se esse sentimento será maior que o Brasil e eu terei que ir para o Uruguai. Ele ri e diz que talvez.
Então eu digo para ele, em tom de brincdeira, que há outra esperança. Ele me pergunta qual. Eu digo que seria ele se matar. Ele diz: o suicídio?! E em tom de brincadeira continuamos a conversa. Ele diz que eu ficarei com remorso. Eu digo que não sou mulher de remorso. Que até vou visitar seu tumulo no dia dos mortos. Ele diz que eu o visitarei todo mes, só para poder encontrá-lo. Eu digo que para encontra-lo terei que ir a um centro espírita e brinco com ele que ele é um encosto; "reza pra subir"!. Rimos. Aí ele diz que eu vou sonhar com ele todas as noites. Eu rebato que ele vai ser mesmo um encosto e que vai aparecer nos meus sonhos para não me deixar mais dormir. Pois para ficar longe dele nem dormir mais eu poderei. Aí ele diz que não. Que vai ser meu encosto. Eu terei que ser dona flor e seus dois maridos. Porque ele não vai me deixar. 


Escrito por Line às 18h26
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