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Aos 40



Cara Estranho (Los Hermanos)

Olha lá, que cara estranho que chegou
Parece não achar lugar
no corpo em que Deus lhe encarnou
Tropeça a cada quarteirão
não mede a força que já tem
exibe à frente um coração
que não divide com ninguém
Tem tudo sempre às suas mãos
mas leva a cruz um pouco além
talhando feito um artesão
a imagem de um rapaz de bem

Olha ali, quem tá pedindo aprovação
Não sabe nem pra onde ir
se alguém não aponta a direção
Periga nunca se encontrar
Será que ele vai perceber
que foge sempre do lugar
deixando o ódio se esconder
Talvez se nunca mais tentar
viver o cara da TV
que vence a briga sem suar
e ganha aplausos sem querer

Faz parte desse jogo
dizer ao mundo todo
que so conhece o seu quinhão ruim

É simples desse jeito
quando se encolhe o peito
e finge não haver competição

É a solução de quem não quer
perder aquilo que já tem
e fecha a mão pro que há de vir



Escrito por Line às 15h54
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Pedaço da música "Quem me dirá" (Vander Lee)

O que foi feito do meu eu
Depois que o seu me acometeu?
Heterogêneos, misturamos,
Veja só no que é que deu
Quem organiza essa bagunça
Dentro do meu coração…
Que agoniza e não entende
Uma mudança de estação


Escrito por Line às 08h49
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Um amor quando vai se despedindo...

Um amor quando vai se despedindo...
a gente sente... vai lentamente, vai sozinho, vai chorando, lotado de interrogações,
querendo ficar, querendo lutar!
Um
amor, quando vai se despedindo...
é porque já cansou de esperar, esperar ele poder ligar, esperar ele poder vir, esperar ele querer fazer
amor
.Cansou de ficar observando a rua, pela janela da esperança. A vida foi ficando embaçada.
Quando um
amor
vai se despedindo...
foi esgotando a paciência, de justificar atitudes, de tudo mais ter importância para ele, menos o
amor
, que fica sendo só uma estação.  
Quando um
amor
vai se despedindo...
vai sumindo mansamente. Vai saindo como fumaça sem vento, sozinho se vai, calmo, desolado, sem rumo e lento.
Quando um
amor vai se despedindo...
seu amado já não marca ponto, não faz mais gol.
Quando o
amor vai se despedindo...
os olhos ficam marejados, a voz engasgada, as mãos trêmulas e frias, as pernas não se sustentam, o olhar triste se perde no vazio. Ferida sangrando no coração, alma adoecida.
Quando um
amor vai se despedindo...
leva consigo as reclamações, o que não se soube esperar, o que não teve paciência, o que exigia demais.

Quando um amor vai se despedindo...

leva consigo todos os sonhos e todas as esperanças.
Quando um
amor
vai se despedindo...
faz curativo de amador, coloca gaze e esparadrapo para não ir sangrando. Estanca tudo.
Afirma a si mesmo, “até breve”. 



Escrito por Line às 20h54
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Quando você chegar

Quando vc chegar
nada reclamarei.
Não contarei das dores
nem das lágrimas que chorei.
Não falarei da solidão das noites
dos pares errados
do vestido lindo que vc nunca viu.
Das danças que perdemos
de nada falarei.
E os meus lábios beijarão teus olhos
tentando curar o passado
do teu rosto já marcado
pelo tempo inclemente.
E eu nada falarei
só descansarei no teu peito
o longo caminho percorrido
Pra' sermos nós finalmente.

(Silsaboia)


Escrito por Line às 19h44
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Um outro sentimento (Martha Medeiros)

     Às vezes me pergunto por que o amor, que dizem ser a coisa mais forte e importante que há, faz tanta gente sofrer. Entendo que algumas pessoas amam com impaciência, amam com possessão, amam com insegurança, amam com violência, amam com preguiça, amam das formas mais desajeitadas,e nada disso é coisa fácil de lidar. Mas o amor é assim mesmo, vem acompanhado de várias sensações, todas fora do nosso controle.

     O amor é lindo, mas também pode ser tenso, fóbico, difícil. Chego à conclusão, então, de que se o amor é nobre e, ao mesmo tempo, ameaçador, deve existir algo muito melhor que o amor. Um sentimento que talvez vários de nós já tenhamos experimentado, só que como esse sentimento nunca foi batizado, não o reconhecemos. Um sentimento que prescinda de fogos de artifício por ter chegado e também dispense velório por ter partido; que se instale sem radares em volta, que não n os deixe apreensivos para entende-lo e nem para traduzir os seus sinais. Um sentimento que não se atenha à longevidade nem a uma intensidade medida pelo número de declarações verbais. Um sentimento que, quanto mais forte, mais calmo. Quanto maior, mais discreto.

     A gente não o pensaria, não o discutiria, não o compararia, não o idealizaria. Cresceria sem a aflição daquelas regrinhas impostas ao amor: tem que cultivar, tem que reinventar, tem que... Tem que nada! Tem apenas que curtir.

     É até bom que ele não tenha nome, símbolo, cor e teorias. Melhor assim, sem estampar capas de revistas, sem que ninguém o use como argumento para cometer insanidades, sem virar mote para propaganda, sem fazer sofrer nas novelas e na vida real. Simplesmente enorme assim, sem ameaçar.



Escrito por Line às 19h23
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