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Aos 40



O pior amigo

(Arnaldo Bloch)

Conheces o teu pior amigo?
Se considerares que todo amigo é bom por natureza, que a amizade é coisa boa em essência, a resposta é não. Mas se já disseste um dia que tens um melhor amigo, estabeleceste um sistema hierárquixo. Se existe o melhor, existe o pior. E há de se conceituá-lo.
Teu pior amigo só o reconhecerás no momento em que ele a ti se revelar. Pode ter sido teu melhor amigo até um instante atrás; e ter deixado de sê-lo no instante seguinte. Nem sempre está consciente da sua condição; e pode achar que te fez um grande bem.
Teu pior amigo poderá sê-lo também em plena consciência, para atingir objetivos, alheiros a ti. Se irá valer dos teus erros involuntários para justificar os dele, voluntários. E, em nome de teus erros, cometerá novos e novos erros.
Ele apunhalar-te-á não pelas costas, mas pela frente, no coração. E, quando apunhalar-te, ele o fará em retribuição a um abraço. Um abraço que deste logo antes.
Diferencia-se do inimigo, que é mais sincero em seus propósitos íntimos. O inimigo pode ser generoso. O pior amigo, em seu delito, terá um propósito mesquinho.
O pior amigo deseja, ou está condenando a, um dia, ignorar o afeto que se encerra entre ele e ti.
O pior amigo, ao revelar-se, ajudar-te-á a crescer, por força de uma grande desilusão.

Escrito por Line às 11h40
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Acho desnecessário abrir um precedente

As vezes fico até tarde no computador, abrindo e fechando o icq, numa espectativa, num vem e vai de vontade. Quanto mais me aproximo da meia-noite, mais sinto vontade de sair correndo pra minha cama, deslingando de qualquer jeito o computador. Qualquer coisa que me afaste a tentação.
Afinal, porque acordar o que está adormecido? Para que buscar alguns minutos da presença dele, se ela em breves segundos se avapora, e me torna amarga e ansiosa novamente. Como um viciado, querendo mais.
Então, é desnecessário abrir um precedente. Como todo viciado, basta o primeiro gole, basta a primeira tragada... Aquele gostinho da satisfação conhecida traz consigo as lembranças de certos desprazeres.
É isso aí... que o icq fique ligado só até a hora dele chegar. E que o sono venha correndo, pra eu não cair em tentação.

Escrito por Line às 22h20
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A Palestina no tempo de Jesus

Os Judeus da Terra Santa, na época, poderiam ser divididos em várias seitas e subseitas. Havia os saduceus, os fariseus, os essênicos, os nazoritas e os nazoreanos ou nazarenos, um termo que parece ter sido aplicado a Jesus e seus seguidores. A versão original grega do Novo Testamento se refere a "Jesus, o nazareno", expressão mal traduzida para "Jesus de Nazaré".
Na verdade, existem dúvidas consideráveis a respeito da existência da cidade de Nazaré no tempo de Jesus. Ela não aparece em mapas romanos, documentos ou registros. Não é mencionada no Talmud. Tampouco é mencionada nos textos de São Paulo. Flavius Josephus, o mais famoso cronista do período, que comandou tropas na Galiléia e listou as cidades da província, não menciona Nazaré. Parece que Nazaré não surgiu como cidade até 68 ou 74d.C.

Escrito por Line às 12h30
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O Santo Graal e a Linhagem Sagrada

A maioria das pessoas hoje fala de cristindade como se se tratasse de uma coisa específica, uma entidade coerente, homogënea e unificada. É desnecess[ario dizer que cristandade náo é nada disto. Existem numerosas formas de cristandade, multiplas congregações, diversas seitas e cultos. Se é que existe um único fator que nos permita falar de cristande, um fator que ligue as diversas e divergentes crenças, este é o Novo Testamento.
No que diz respeito à tradição popular, a origem e o nascimento de Jesus sáo bem conhecidos. Mas os Evangelhos, nos quais essa tradição é baseada, são consideravelmente mais vagos sobre esse assunto. Somente dois deles - Mateus e Lucas - dizem alguma coisa sobre a origem e o nascimento de Jesus; e se contestam flagrantemente. De acordo com Mateus, Jesus era aristocrata, descendente de Davi, via Salomão; segundo Lucas, a família de Jesus, embora descendente da casa de Davi, era de uma classe menos elevada. Mas... segundo as narrativas de Marcos, surgiu a lenda do "pobre carpinteiro".
Quanto mais se estuda os envagelhos, mais claras se tornam as contradições entre eles. Não concordam entre si nem mesmo quanto à data da crucificação. João diz que ocorreu no dia anterior ao da celebraçãso dos escravos judeus no Egito. Marcos, Lucas e Mateus falam em um dia depois. Nem mesmo quanto à personalidade de Jesus eles concordam. Para Lucas, "um salvador humilde como um cordeiro"; para Mateus, "um poderoso e majestoso soberano, que veio trazer a espada e não a paz. Segundo Mateus e Marcos, as últimas palavras de Jesus foram: "Meu Deus, Meu Deus, por que me abandonastes?". Em Lucas, fala-se: "Pai, perdoai-os, pois eles não sabem o que fazem." Em João,lê-se: "Está terminado".

Escrito por Line às 12h02
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Como é calmo enquanto tudo está dormindo

     Como é calmo enquanto a vida dorme em nós. Enquanto estamos naquela fase em que, nem estamos apaixonados, nem buscando ficar. Sabe aquela total falta de expectativa? É essa aí mesmo! A banalidade toma conta do nosso corpo e dos nossos pensamentos. Nada a dizer, nada a fazer, nada a sentir. Só o acaso pode garantir um pouco de pimenta nessas fases mornas. Logo eu que não confio no acaso!

     Não é nem paz esse estado. É uma simples nulidade temporal. Sabe como é... momentos da minha vida que eu não terei nada pra lembrar depois.

     Nem é vontade de dormir cedo para não ver o tempo passar. Porque o tempo não está incomodando em nada! É simplesmente o relógio biológio pre-dizendo a hora de dormir. Não há falta de apetite nem vontade de comer. Apenas como o suficiente. Tudo, afinal, parece exatamente "o suficiente" e a medida certa. Sou boazinha na medida certa, sou colega na medida certa, tenho o corpo na medida certa. Tudo está na medida certa. E isso não dá o menor tesão!    



Escrito por Line às 13h10
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Tente outra vez

Veja
Não diga que a canção está perdida
Tenha fé em Deus, tenha fé na vida Tente outra vez

Beba
Pois a água viva ainda está na fonte
Você tem dois pés para cruzar a ponte
Nada acabou, não não não não

Tente
Levante sua mão sedenta e recomece a andar Não pense que a cabeça agüenta se você parar, não não não não
Há uma voz que canta, uma voz que dança, uma voz que gira
Bailando no ar

Queira
Basta ser sincero e desejar profundo
Você será capaz de sacudir o mundo, vai
Tente outra vez

Tente
E não diga que a vitória está perdida
Se é de batalhas que se vive a vida
Tente outra vez

(Raul Seixas, Paulo Coelho, M. Motta)

Escrito por Line às 20h51
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Adolescência

Como são realmente os adolescentes? Primeiro, precisamos distinguir entre adolescentes jovens e mais velhos, entre moças e rapazes, entre adolescentes de países industrializados e de grupos pré-alfabetizados, entre adolescentes que freqüentam escolas e os que dela saíram, adolescentes hoje e os do passado, e assim por diante. Podemos, porém, descrever algumas características gerais do período da adolescência.
A adolescência começa com a puberdade, o alcance fisiológico da maturidade sexual, e termina com a posição social de adulto. Nas moças seu começo caracteriza-se pelo princípio da menstruação e nos rapazes, pelo aparecimento de cabelo púbico pigmentado. Em média essas mudanças ocorrem por volta dos 12 anos. Desde 1900, nos EUA a idade do aparecimento da menstruação vem se reduzindo cerca de quatro meses em cada década. Os rapazes também tem alcançado a estatura adulta com idade cada vez mais baixa. Há, evidentemente, muitos outros desenvolvimentos produzidos por hormônios, tais como o desenvolvimento dos seios e quadris em moças, aumento da musculatura e mudanças de voz nos rapazes. As pretensões e experiências sociais também sofrem modificações nesse período. O fim da adolescência é assinalado pelas mudanças nos papéis sociais que as pessoas ocupam. É muito difícil determinar uma idade para o fim da adolescência pois algumas pessoas assumem papéis adultos aos 18 anos e outras aos 25. E há outras pessoas que nunca parecem tornar-se adultas.
Os jovens adolescentes entre 12 e 16 anos são pessoas que mudam rapidamente. Crescem de repente. No começo da adolescência, uma profunda mudança tem lugar no pensamento das crianças. Os jovens adolescentes começam a raciocinar formalmente com afirmações do tipo “se… então” . Eles sabem imaginar todas as conseqüências lógicas de uma hipótese e raciocinar sistematicamente a respeito delas para chegar à solução de um problema complicado. Na adolescência, a inteligência é abstrata, flexível e eficiente.
Tipicamente, os adolescentes mais jovens criticam seus pais e a sociedade. Visto que, usando sua lógica abstrata , eles podem imaginar possibilidades ideais; as opiniões e os comportamentos dos adultos sofrem severas críticas em decorrência disto. Os adolescentes podem discutir sem fim os menores detalhes de erros, preconceitos e tolices observados nos adultos, principalmente nos pais. Essa atividade parece prestar-se a várias finalidades: ajuda-lhes afrouxar os laços com os pais e tornar-se mais independentes; aguça suas idéias sobre o tipo de pessoa que querem ou não querem ser mais tarde; e oferece-lhes oportunidade para pôr à prova novas idéias num ambiente seguro.
Os adolescentes jovens também são críticos de si mesmos e facilmente se envergonham e ficam embaraçados. Por saberem conceituar seus próprios pensamentos, eles sabem também ponderar os pensamentos dos outros. Os pensamentos dos adolescentes muitas vezes focalizam eles mesmos e têm a tendência de acreditar que os pensamentos de outras pessoas apresentem o mesmo enfoque. Em conseqüência, o adolescente freqüentemente ‘representa’ diante de um público imaginário, com todas as suas vistas concentradas sobre ele. Se não gostar da sua aparência ou do seu comportamento, ele tem certeza de que, da mesma maneira, os demais o criticarão. Se estiver satisfeito com sua apresentação, ele estará bastante desvanecido pois vê todos os demais o admirando também. Na medida em que amadurecem, alcançam uma certa perspectiva a respeito de si mesmos e de outros por descentramento. Entendem que os demais não compartilham necessariamente de seus pensamentos e sentimentos. Esse entendimento é necessário para a formação de relacionamentos mútuos; de outra maneira, cada um dos dois projeta seus próprios sentimentos sobre o seu parceiro e fica impossibilitado de perceber as necessidades do outro.
Os adolescentes mais velhos , de aproximadamente 16 a 19 anos, ainda enfrentam crises para formar uma identidade madura, para escolher uma vocação futura, para desenvolver relacionamentos duradouros e para tornar-se independentes dos pais. Na beira da idade adulta, eles ainda não assumiram aquilo que se alega serem as responsabilidades daquela idade mas estão social e sexualmente bastante maduros para gozar muitos privilégios adultos.
Todos temos que chegar a um acordo com nós mesmos sobre quem e o que somos como pessoas. Uma criança perde pouco tempo na contemplação do seu próprio caráter. Mas a maioria das pessoas é ciente de que os adolescentes tendem a ser introspectivos. De acordo com Erik Erikson, o problema predominante é desenvolver um sentido consistente de si, uma identidade do ego, para servir de norma para seu comportamento. O jovem terá que enfrentar e tomar decisões de maneira independente, baseadas em um senso coerente de quem ele é e o que deseja na vida. Os pais não podem mais protegê-los e tomar decisões por ele.
Inicialmente, a identidade do adolescente baseia-se na identificação que se formou com o outro durante a infância. As crianças menores se identificam com seus pais. Mais tarde, elas costumam se identificar com irmãos ou irmãs mais velhos, professores, treinadores, heróis esportivos, estrelas de cinema e muitos outros. Embora a identidade de uma pessoa seja, em parte, baseada nessas identificações de épocas anteriores e nas que fazemos na adolescência, a identidade não se constitui na simples soma das identificações que escolhemos anteriormente. Se assim fosse, a identidade de uma pessoa não teria coerência. Antes, o adolescente sabe isolar as características escolhidas daqueles modelos tão variados e combiná-las para formarem uma só identidade para ele mesmo.
Nem todos alcançam um completo senso de identidade individual na adolescência e às vezes nem na idade adulta. Às vezes isso significa fazer exatamente aquilo que é esperado pelos pais ou pelo grupo de colegas da pessoa; às vezes, significa desafiar adultos significativos e tornar-se exatamente o que eles desdenham. Em ambos os casos, a pessoa está presa a definições que dela se fizeram. Alguns adolescentes e jovens adultos não chegam a alcançar uma consistência em suas definições de si próprios. Eles mudam de rumo, indo de um emprego a outro, de um relacionamento a outro e de um estilo de vida a outro. Tornam-se ‘adolescentes’ de 35 anos , que estão sempre tentando ‘encontrar-se’. Ainda outros chegam em pouco tempo a um conceito de sua identidade sem considerar outras possibilidades. Estão ansiosos se defendendo e a respeito das ambigüidades às quais ficam expostos a fim de chegar a um eu individualmente consistente. Nem uma consolidação prematura da pessoa nem uma formação de identidade extremamente protelada é tão adaptável em nossa sociedade como um período de auto-exame e experimentação adolescente, seguidos da formação de uma individualidade consistente chamada identidade.


Escrito por Line às 16h38
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Relato de um caso de pedofilia (2)

“Em meados de 2000, chegou às minhas mãos através de uma amiga que sabia do meu interesse em escrever uma tese sobre pedofilia, um artigo da revista VEJA intitulado: ‘Perversão na rede’. O artigo começa assim: ‘Eles têm dinheiro, educação e família. E se divertiam trocando fotos de crianças torturadas sexualmente’. Esse artigo trata de uma operação feita durante dois anos pelo Ministério Público do Rio, que ao final denunciou à Justiça onze pessoas que usaram a Web para divulgar fotos de crianças submetidas a todo tipo de humilhação sexual. Os internautas criavam códigos capazes de evitar a entrada de intrusos nessa rede. Segundo o promotor Romero Lyra, que comandou as investigações, ver imagens desse tipo é sempre um soco no estômago. ‘Eu não consegui trabalhar por muito tempo seguido. Tinha de parar para respirar.’, disse. Entre os internautas denunciados à Justiça há, um economista, uma médica, um funcionário público federal e meia dúzia de jovens, todos estudantes dos melhores colégios e universidades do Rio de Janeiro. Acharam que o domínio do que há de mais moderno em tecnologia, ajudaria a protegê-los. Vários deles conseguiram esconder dos parentes mais próximos arquivos com até 20.000 fotos de pornografia infantil. Em muitas, segundo a revista, pode-se notar claramente que as crianças fotografadas não tinham a mínima noção do que estavam fazendo. Em outras, é evidente a expressão de dor.

Ainda de acordo com o artigo, o perfil psicológico desses internautas está longe do de ser o que alguns livros técnicos apontam: pessoas introspectivas, que sofrem uma quase impossibilidade de relacionamento e encontram na criança um parceiro submisso. Não foi o que surgiu a partir dos depoimentos tomados pelos promotores do Rio. Boa parte dos adultos denunciados é casada ou tem um relacionamento estável.

E com certeza, cada vez me parece mais difícil encontrar um perfil para esses sujeitos. Ainda mais depois do que aconteceu, no último semestre desse mesmo ano, num dia em que estava na sala de computação de uma Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Enquanto esperava meu computador abrir a página da Internet que havia solicitado, vi no computador em frente ao meu, abrir lentamente uma fotografia de uma pré-adolescente nua. O aluno que estava no computador, chamou outro que encontrava-se no computador ao lado para ver. Me levantei e fui falar com a responsável pela sala de computação, a Cláudia. Ela disse que passaria a prestar atenção se isso iria se repetir , pois afinal, a Universidade tinha um programa que vetava qualquer entrada em sites pornográficos. Algumas semanas depois, novamente, e no mesmo computador, dessa vez uma aluna estava abrindo o mesmo site. Levantei-me e perguntei o que era aquilo. A aluna alegou que não sabia, que quando ela clicou no computador, a foto apareceu. Era óbvio que ela estava mentindo. Pedi que a aluna fosse chamar a Cláudia, dessa vez, fiquei tomando conta para que não apagassem o endereço. O endereço era muito simples. Um endereço que, segundo a própria Universidade, não havia como bloquear pois não permitiria a entrada de pesquisas sobre um assunto de interesse geral.

Cláudia começou a fazer alguns contatos e o que foi descoberto, apesar de sua gravidade, foi ‘abafado’ pela administração da Universidade. Cláudia descobriu, através de informações de alguns alunos, que havia um grupo de estudantes da Universidade que, além de fornecer o endereço do site acima mencionado, distribuiu o número de um disk-sexo apenas com crianças, ou seja, você ligava e podia fazer sexo por telefone com as crianças que ‘trabalhavam’ lá. O diretor administrativo, respondendo sobre as providencias que tomaria, disse que isso tudo fazia parte, apenas, ‘da curiosidade normal dos jovens’.”




Escrito por Line às 16h36
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Relato de um caso de pedofilia

“Em outubro de 1999 numa visita informal a casa de Fred, resolvi vasculhar seu computador, enquanto ele falava ao telefone. Fui ao Windows Explore ver o que ele tinha de interessante. Entre outros arquivos, achei um nomeado KIDS. Imaginei logo que deveria ser algum jogo de computador que iria me ajudar a passar o tempo enquanto ele estava telefonando. Abri o arquivo e percebi que era um arquivo de fotos. Cliquei aleatoriamente em uma delas e no vídeo apareceu uma menina, com mais ou menos 10 anos de idade, nua, numa fotografia preto e branco. Sua expressão em nada parecia com as que costumamos ver nas fotos de modelos pornôs. Seu olhar me passava tristeza, parecia sem jeito. Olhar que não consegui esquecer. Fiquei alguns segundos parada, absolutamente chocada diante daquela imagem. Fechei a tela e continuei estática, olhando para o computador.

Meu amigo entrou no quarto rindo e falando alguma coisa que ‘nunca ouvi’, mas logo percebeu que havia algo errado. Perguntei o que significava aquilo. Ele tentou me explicar que ‘aqueles meninos nus...’. ‘Meninos nus?! Que meninos nus? Você gosta de criança e ainda por cima, menino?’ Ele tentava me explicar o que aquilo tudo significava, mas a essa altura, nós dois já estávamos chorando tanto... eu o acusando de coisas ‘horríveis’ e ele, sem tentar se defender, só repetia que já havia pedido muitas desculpas a Deus por aquilo tudo.

Nenhuma justificativa me parecia ‘justificável’. Questionava se ele nem por um momento pensou na dor, no sofrimento daquelas crianças expostas àquilo? Que criança era para ser feliz, brincar, estudar, crescer, ser respeitada. Falei e chorei cada uma das vezes que falávamos sobre isso. Até que um dia, ele me olhou muito sério e disse: ‘Eu sei o que fiz. Mas nem você, nem ninguém é Deus para me julgar.’ Achei aquela frase muito séria. Era uma frase de muita culpa. Nenhuma de minhas palavras iria fazer ele se sentir mais culpado. Já havia se julgado e se condenado. Agora, ‘só Deus para lhe infringir maior pena.’

A história de Fred começou quando ele ganhou um computador de seu pai. Pensou em usá-lo para fazer alguns trabalhos, colocar alguns jogos, essas coisas. Instalada a Internet, não demorou para ele procurar as salas de bate papo. E dessas, as salas de sexo. Se tornou um freqüentador assíduo. Quase toda noite, lá estava ele, trocando e-mails e procurando companhia para um sexo virtual. Um dia começou a teclar com uma mulher (‘pelo menos ela dizia que era mulher, também nem sei se era mesmo’ – me disse um dia). Essa mulher disse que gostava de ver fotos de meninos nus. Fred vasculhava a Internet em busca dessas fotos para a mulher. Quanto mais fotos conseguia, quanto mais intensa ficava a relação virtual de ambos. Fred sentia-se compulsivo a esse respeito. Formou um arquivo de fotos de crianças e adolescentes (infelizmente não posso confirmar idade nem tipo de fotografias que haviam, pois não consigo olhar esse tipo de imagens sem ficar profundamente chocada, por isso minha observação se limitou àquela uma única foto).

Fred começou a questionar o motivo pelo qual sentia-se excitado com aquelas fotos, se nunca, anteriormente, havia se interessado por esse tipo de coisa. Achou que estava ficando doente, enlouquecendo. Queria se livrar daquilo tudo, mas não conseguia. Continuava vendo e mandando fotografias, mesmo sabendo o risco que corria (pois a Polícia Federal vasculha a rede em busca de internautas que enviam fotos de crianças nuas ou mantendo relação sexual).Sabia também, que um dia alguém iria descobrir as fotos no seu computador, já que ele dava livre acesso a qualquer amigo que quisesse usá-lo. Mesmo assim, eles a deixava lá. Pensava em deletá-las, mas não conseguia. ‘Tinha a esperança de encontrar novamente aquela mulher e enviar-lhes todas aquelas fotos com uma mensagem de que eu estava FORA. Mas não conseguia mais encontrá-la.’- sic.

Fred começou a olhar as crianças na rua, estudantes que passavam por ele, filhos de amigos... Cada vez aquilo lhe atormentava mais. Dizia não sentir-se com vontade de ‘tocar’ essas crianças. Pensava: ‘Eu adoro criança. Tenho sobrinhos. Afilhados. Meu Deus, o que eu estou fazendo?! Como eu posso gostar disso?!’ Nunca tentou se aproximar de uma criança para tocá-la de maneira erotizada. Geralmente se relacionava com mulheres adultas, a maioria com pouca diferença de idade dele (Fred tinha na época 33 anos).
Mais ou menos um ano depois de minha descoberta, fuçando novamente o computador de Fred, dessa vez propositadamente, encontrei muitas fotos de mulheres nuas e algumas de adolescentes fazendo sexo, nenhuma de criança. Deletei as fotos do computador dele e briguei com ele. Ele disse que elas não eram crianças, e tentou brincar dizendo que pelo menos a foto da loirinha eu poderia ter deixado pois ela era uma gracinha. Não achei graça na brincadeira.

Continuo amiga de Fred, mas foi complicado deixar ele conviver com meus filhos. Nunca vi ou ouvi de ninguém, nada que pudesse dizer que Fred havia levado suas fantasias virtuais para a vida real. Fred trabalha, estuda, é um bom amigo, simpático, extrovertido, de nada lembra a figura doente que se acostumou ver associada a figura do pedófilo.

Afinal, o que levaria uma pessoa, que nunca havia se interessado sexualmente por crianças, acumular em seu computador, dezenas de fotos de crianças peladas? Por que, seu comportamento não conseguia ultrapassar as barreiras virtuais? Como foi conviver com tanto desejo e tanta culpa? Essas perguntas eu não consegui responder.”


Escrito por Line às 16h35
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Pedofilia

“A pedofilia envolve um impulso ou excitação sexual recorrente e intenso por crianças de 13 anos de idade ou menos, persistindo por, no mínimo, 6 meses. O indivíduo classificado como pedófilo deve ter, no mínimo, 16 anos de idade e ser, pelo menos, 5 anos mais velho do que a vítima. O diagnóstico não se aplica, quando se trata de um indivíduo no final da adolescência envolvido em um relacionamento sexual contínuo com alguém de 12 ou 13 anos.
A vasta maioria das molestações a crianças envolve carícias genitais ou sexo oral. A penetração vaginal ou anal da criança é uma ocorrência infreqüente, exceto nos casos de incesto. Embora a maioria das vítimas infantis que vêm a serem atendidas seja do sexo feminino, esta constatação parece ser produto do processo legal. Os ofensores relatam que, quando realmente chegam a tocar na criança, a maioria das vítimas (60%) é do sexo masculino. Esta cifra contrasta vividamente com a vitimação de crianças sem toque, como o exibicionismo, no qual 99% dos casos são perpetrados contra crianças do sexo feminino. Além disso, 95% dos pedófilos são heterossexuais e 50% consumiram álcool em excesso por ocasião do incidente.
As fantasias, impulsos sexuais ou comportamentos causam sofrimento clinicamente significativo ou comprometimento no funcionamento social ou ocupacional ou em outras áreas importantes da vida do indivíduo.
Um bom prognóstico está associado com um início tardio, baixa freqüência dos atos, culpa ou vergonha pelo ato cometido, história de coito além da parafilia, alta motivação para a mudança e quando busca tratamento por vontade própria. A maior incidência de indivíduos parafílicos ou com qualquer outro tipo de transtorno sexual sem especificação, que procura atendimento ambulatorial é de pedófilos.”
(Compêndio de Psiquiatria – Ciências do Comportamento e Psiquiatria Clínica–
autor: HAROLD I. KAPLAN)


Escrito por Line às 16h34
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